Meu amigo de Harvard não entende o Brasil

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Como disse Bob Fernandes, o Mensalão não é uma farsa mas só se transformou no maior julgamento da história do país porque antes ninguém julgou o mensalão mineiro, a compra de votos para a aprovar a reeleição de FHC, a privataria tucana, os esquemas de corrupção no Metrô de São Paulo, a operação Satiagraha, os esquemas de Cachoeira com a Delta e Demóstenes, a quadrilha do ISS da prefeitura de São Paulo, os esquemas de Maluf e nem mesmo  a tortura e os assassinatos da ditadura entraram nessa conta… Não que não houvessem denúncias e evidências, e até mesmo alguns inquéritos sobre quantias financeiras e dimensões políticas infinitamente maiores do que as apontadas no Mensalão, mas a maioria dos casos não foi e muito provavelmentente jamais será julgada.

Só por isso o Mensalão se transformou no maior julgamento de nossa história republicana.

Na falta de provas concretas para apontar o responsável pelo que chamou de quadrilha o STF cravou o  inédito domínio do fato, e essa foi a senha para fazer o julgamento político de Genoíno e Dirceu causando estranheza até mesmo em juristas conservadores. Agora a senha é tratar Joaquim Barbosa de louco e destrambelhado e fica a dúvida se veremos tamanha fúria inquisitória em outros julgamentos daquela corte. Fazer o quê?

Nem é que talvez não houvessem crimes mas essa espécie de fogueira midiática e seletiva representou um avanço da justiça do Brasil?

É bom lembrar que NENHUMA mudança substancial para o financiamento de partidos foi proposta ao longo desse tempo e aqueles que ganharem nas próximas eleições seguirão tendo que compor a maioria nos parlamentos de alguma forma. Aqueles que perderem também terão que pagar a conta de sua derrota e adivinha como vão fazer isso? A culpa será do governo?

A hipocrisia é foda. A opinião é livre e esse é um valor universal mas vamos precisar de muito talento para limpar a área e estabelecer discussões políticas razoáveis em 2014…

Fica a eterna dica: não alimente os trolls e muito cuidado com o Lulu

 

Um jeito de fazer TV

rock

As operações da Abril com a marca MTV no Brasil chegaram ao fim nesta semana, e na quinta-feira passada (26/09) aconteceu uma festa onde funcionários de todas as fases do canal apareceram para celebrar uma espécie de enterro mexicano da emissora abriliana. Fomos beber o morto que até já renasceu em outro canal.

A despedida aconteceu no prédio da Alfonso Bovero que também foi sede da antiga TV Tupi. A TV brasileira começou naquele endereço e não deixa de ser uma ironia o fato de que aquele também tenha sido palco da última tentativa de um grande grupo de comunicação brasileiro entrar no mercado de TV aberta no País. Não rola e isso sim talvez devesse ser objeto de análise e notícia no jornal. A MTV segue…

As transmissões começaram em 1990 e no início a fórmula parecia perfeita com a nova e revolucionária televisão inventada em NYC chegando pelas mãos dos herdeiros da maior editora de revistas do país.  A Abril ainda tinha as frequência UHF para alavancar o negócio nos modelos de uma TV aberta além de toda a estrutura corporativa e de vendas que os anos noventa permitiam.

Essa fase familiar durou aproximadamente oito anos e foi mais ou menos no final dessa época que fui contratado. Poucos meses depois de assumir o cargo de redator de promos aconteceram os primeiros cortes em cargos e custos de produção e o anúncio era claro: o canal deveria dar lucro ou seria fechado.

O clima triste e tenso quando sairam André Vaisman, Gastão e Fábio Massari parecia o fim do mundo de meu sonho adolescente e aqueles caras ERAM o canal desde o lançamento. É difícil entender a razão de cortar os melhores mas o capitalismo tem razões que a própria razão desconhece e talvez no final deste texto eu consiga explicar

MTV. Na sua língua.

A primeira missão da presidência de André Mantovani e das diretorias de programação e produção de Zico Goes e Cris Lobo era criar uma identidade mais brasileira para o canal e aumentar o playlist das músicas que as gravadoras estavam vendendo. Talvez hoje isso nem seja uma ideia difícil de entender mas quando a diretoria também avisou que o formato do videoclipe estava acabando, alguns jornalistas traduziram isso como se a MTV Brasil estivesse matando o videoclipe e nunca mais esse mal-estar seria superado plenamente pelo jornalismo sabichão.

No departamento de criação, chefiado por Jimmy Leroy na época, o desafio de criar uma identidade mais brasileira também significou falar mais de política, meio-ambiente, cidadania e circular mais pelo Brasil, aumentando radicalmente o volume de produção de promos e campanhas sociais que falassem com o jovem brasileiro

Foi foda isso!

Os programas passaram a ter formatos de TV aberta, com participação da audiência e entrevistas, e nos anos seguintes tanto o lucro quanto a audiência cresceram, e também as pesquisas mostraram que a MTV passou a ser vista como um canal mais brasileiro. Bingo!

Veio uma pequena fase de lucro e prosperidade e nessa trilha consegui escrever o Desligue a TV e vá Ler um Livro; Tome Conta do Brasil; Prepare o saco, os ovos e os tomates; Preservar o Planeta Começa em Casa; Pacto MTV; Voz MTV e uma infinidade de campanhas que, junto com alguns programas, transformaram o canal em referência na comunicação com a audiência jovem.

Cada um faz a sua MTV

Quando aconteceu a invasão do Iraque a mensagem era: A MTV Brasil não quer essa guerra!  Hoje isso pode parecer mais fácil mas não dentro de uma marca americana com sede em Nova York e apenas um ano depois do 11 de sentembro.

Foi aí, e com as campanhas de prevenção à AIDS, que comecei a ouvir de colegas da MTV Internacional que aquilo que produzíamos no Brasil era diferente e isso mudaria minha relação com o canal para sempre. Começamos a co-produzir com a America Latina e o Caribe sobre temas de sexualidade e cidadania, e Mantovani e Zico foram os caras que incentivaram e deram total liberdade para fazermos essa MTV mais punk e politizada de todas. Recebemos prêmios e viajamos o mundo inteiro falando sobre o que fazíamos mas talvez por razões de mercado isso tenha sido pouco analisado no Brasil. Uma escola de talentos incríveis de produtores de promo e gráficos se formou ali numa situação que dificilmente se repetirá em outros canais pelo mundo. .

Saí em 2010 depois de 12 anos e estava achando estranha a ideia de uma festa de encerramento de algo que não vai exatamente acabar mas me surpreendi com o sorriso de quem foi feliz ali dentro e fez um final feliz e louco como só no Brasil isso pode acontecer. Fiz grandes amigos tanto na Abril quanto na Viacom e tenho a certeza de que o maior valor da marca MTV no Brasil é o próprio Brasil.

Aliás, tome conta do Brasil!

ps. Me avisa André Vaisman que sua saída do canal foi por decisão própria dentro do contexto narrado acima. Mesmo assim confesso que até hoje não entendo tamanha perda de talentos

Qual é a relação entre a direita e a nova revolta da vacina?

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1. Essa direita brasileira é muito pifada! Na falta de alguém de talento dependem de Olavo de Carvalho, Lobão ou Reinaldo Azevedo para fazer macaquices e jogos de cena, enquanto a oposição não consegue formular UM único programa de governo… Nenhuma chamada pública!

Vivem de paranóias anticomunistas e xenófobas que já viraram uma espécie de entulho ideológico. Depois ficam bravinhos porque o povo vota em quem traz médicos, reduz a conta de luz, garante empregos, entrega casas e garantias sociais…
E a direita serve pra quê? A direita se limita a ser anti-esquerda, conspirar e destilar ódio e preconceito.

2. Pergunte a opinião de quem NÃO tem médico sobre o Mais Médicos.

Lembro de uma lição no ensino básico sobre a importância de Osvaldo Cruz e dos grandes médicos sanitaristas para o desenvolvimento do Brasil. Heróis que enfrentavam a ignorância e a saúva nacional, e que devem estar se revirando no caixão de tanta vergonha de nossos jovens doutores e seus pequenos líderes.
Jogaram no lixo a história de sua classe e se existisse uma régua para medir a História talvez isso seja bem pior do que a revolta da vacina. Uma vergonha para o País.

Punkjazz no Puxadinho

flyer_fianal Na próxima Segunda-feira vai rolar uma mini gig punkjazz no Puxadinho da Praça, na Vila Madalena! Vamos tocar algumas canções bêbadas e livres de impostos, com Joãocaré no violino e Oscar Segóvia na bateria. Pra quem não sabe o punkjazz funciona assim: são canções do século passado, outras novíssimas em folha, mais algumas de Tom Waits e Leonar Cohen, feitas no mais puro improviso analógico. Canções que nunca se venderam e nem fizeram muitas concessões assim como um velho anarquista que simpatiza com os protestos nas ruas. Para fechar a noite tem Jesus and The Groupies, do Marco Butcher e Mr Alabama. Vai lá que vai ser legal! A foto aí do lado é do Oscar.

 

Quando as ruas se tornam o meio e a mensagem

 

hidrante

Foi uma tragédia o que aconteceu ontem na passeata contra o aumento das passagens de ônibus em São Paulo. Escrevi um post aqui no blog (–>linksobre os protestos em Porto Alegre que aconteceram há pouco mais de um mês e basicamente acho que são os mesmos argumentos que podem ser aplicados a quase todas as cidades do Brasil.

Trata-se de uma pauta muito mais complexa que tanto os políticos quanto a mídia, por conveniência, trataram de ignorar. Agora os veículos de comunicação não sabem o que falam, com quem falam e para quem falam. O políticos escorregam para o lado e a polícia tem raiva.

As cenas revelam uma falta de preparo e incompetência difícil de corrigir enquanto as polícias se nomearem militares. A corporação que antes se sentia ofendida pela democracia e pelos jovens nas ruas agora passou a agredir jornalistas. Atira no olho. E, numa incrível inversão de valores, sugerem uma vingança a um policial armado e louco que apareceu no dia anterior na capa da Folha apontando a arma para civis enquanto, mesmo com a cabeça sangrando, segura pelo pescoço um manifestante caído. O quixote do fracasso…

“O povo acordou”, é uma das palavras de ordem das ruas e basta perguntar a qualquer usuário do sistema público de transportes que a resposta será a mesma: uma merda! Há paliativos para o caos como encerrar-se num carro com ar condicionado, Iphone e uma opinião reacionária sobre tudo o que está acontecendo ao redor mas não vai adiantar. Como escrevi antes, na minha opinião os políticos que não entenderem isso é melhor que saiam da frente.

Há imagens de policiais quebrando a própria viatura e agredindo cidadãos comuns com tiros de borracha, cassetete e gás de pimenta que agora correm a web e por si só contam a história. Fica a feliz sensação de que não existe volta e quando as pessoas se levantam do sofá e saem para as ruas, são as ruas que se tornam o meio e a mensagem. Entendeu?

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